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CARACTERIZAÇÃO

 

Padroeira: Santa Maria/Nossa Senhora da Expectação.

Habitantes: 310 habitantes (I.N.E.2001) e 333 eleitores em 31-12-2003.

Actividades económicas: Agricultura.

Festas e romarias: Senhora da Cabeça (terça-feira de Páscoa), Santo António (13 de Junho), Santo Amaro, Senhor do Livramento, Senhora de Fátima e Festa do Santissímo, 3º Domingo de Agosto.

Património cultural e edificado: Igreja paroquial, capelas de Santo António e Senhora da Cabeça, Quinta do Prego (com capela de Santa Quitéria), Alminhas da Julgueira e Alminhas da Senhora da Cabeça.

Outros locais de interesse turístico: Monte do Crasto, lugar de Barbeitos, praia fluvial da Azenha e Lagoa de Cima.

 
Álvora tem uma área de 497 ha e localiza-se a 10 km da sede do concelho, Arcos de Valdevez. Contava com uma população de cerca de 420 habitantes em 1999. É limitada a norte pelas freguesias de Portela e Anhões, esta última do concelho de Monção e Loureda, a leste; a sul por Aboim das Choças, o rio Vez e as freguesias  de Sá e Vilela; e a oeste ainda pela freguesia de Aboim das Choças. A freguesia de Álvora está situada num vale e abrange a serra da Anta, os montes da Lagoa e do Crasto.
Na serra da Anta, que tem o seu topónimo derivado das Antas aí existentes, ainda visíveis na freguesia de Anhões do concelho de Monção, é possível que, nesta serra outras antas tenham existido, até porque estes montes, onde se estende a freguesia de Álvora, são fartos os vestígios arqueológicos. Assim é também o monte do Castro, onde existiu o Castro de Álvora. O livro “Terra de Valdevez e Montaria do Soajo” o autor, Eugénio de Castro Caldas, faz referência   ao Castro de Álvora, com o seguinte parágrafo: «O Castro de Álvora proporcionou a Carlos Aguiar Gomes a oportunidade  de um estudo pormenorizado, que publicou em Terra de Valdevez, de um espólio nunismático romano que vai desde Augusto (27 a.C. 14 d.C.) até praticamente, às invasões dos Bárbaros.»
A antiga freguesia de Santa Maria (Nossa Senhora da Expectação) de Alvora era abadia da apresentação do ordinário (co­mo aconteceu com a freguesia anexa de Sá) no termo de Vale de Arcos, e era seu donatário o visconde de Vila Nova de Cerveira. “Santa Maria de Álvora, abadia do ordinário, metade com toda a renda de S. Pedro de Sá, importa ao abade duzentos e cinquenta mil réis; e para a mesa arcebispal, com título de câmara de Álvora, a outra metade que rende oitenta mil réis: tem noventa vizinhos e boa pedra na Mourisca”.
A terra é fertilizada pelo rio Rajado (“de pequeno curso e pouca quantidade de águas, por cuja causa não é navegável. Tem alguns moinhos nesta freguesia e no lugar das Choças uma ponte de cantaria”).
A freguesia é constituída pelos lugares de Choças, S. Martinho, Casaldofe, Barbeitos, Fonte e Bouças (estiveram registados, no pas­sado, os “lugares de Barbeitães, Bouças, Casal Doufe, Choças, Fonte, Ribeiro e S. Martinho”).
No lugar de S. Martinho situou-se a capela de S. Martinho de Moimenta, que foi igreja paroquial, da visita do arciprestado de Loureda. Algumas das pedras desta capela foram depois transferidas para a capela da Senhora da Cabeça.
Grande parte das Choças terá pertencido a esta paróquia.
A antiga freguesia de “Sancti Martini de Moymenta”, citada nas inquirições de D. Afonso III, passou depois para a de “Sancte Marie d’ Alvar”, como é designada nas mesmas inquirições.
A igreja paroquial de Álvora, edificada num ermo, foi reconstruída no século XVII. “Situa-se num sítio denominado de Alvora donde toma o nome toda a freguesia, sem vizinhança nenhuma”. É de uma só nave. O pri­meiro pároco de que há notícia é do abade João Carlos Machado de Araújo, de 1782 a 1786.
No lugar de S. Martinho, diz José Cândido Gomes em “Terras de Valdevez” ter existido a antiga Capela de Valdevez de Moymenta, a qual foi igreja paroquial e da sua visita do arcebispado de Loureda.
Refere “(...) Não sei pois como é que os Corographos começaram a dar a Mey o ap­pellido de Moymenta quando Mey é mais moderna e no archivo do arciprestado de Loureda apparecem as duas parochias bem distinctas.
Algumas pedras das minas desta capela de S. Martinho foram por a Capella da Senhora da Cabeça, na mesma freguesia”.
A capela da Senhora da Cabeça, no cume do outeiro de Cacheiros, é local de festa e ro­maria anual, na terça-feira a seguir à Páscoa.
A zona mais populosa da freguesia é o lugar de Choças. O nome terá origem na estada, aqui, de um exército de D. Afonso Henriques, que se terá acolhido sob umas “choças de mí­sera aparência”. Estas choças terão sido construídas pelos espanhóis em 1128, pois a tradição diz que por aqui passou nesse ano D. Afonso VII, de Leão, com o seu exército, que seria depois derrotado na Veiga da Matança, próximo da vila dos Arcos de Valdevez.
Parte do lugar das Choças pertence à fre­guesia de Aboim, e foi nessa zona que esteve aquartelado em 1643 o exército do visconde de Vila Nova de Cerveira D. Diogo Lima, encar­regado de socorrer a praça de Monção, sitiada pelos castelhanos, nas guerras da Restauração.
A Quinta do Prego, também designada de Palácio dos Pugas, é uma casa do século XVIII, sóbria, de dupla escadaria e capela anexa, dedicada a Santa Quitéria. Foram seus últimos senhores António de Lima Brito, que teve brasão de armas em 1805, e seu filho António de Sousa Castro Prego.
Segundo os dados colhidos junto da autarquia em 1999, não há desemprego, cerca de 70% das terras cultivadas são de pequenas dimensões e destinam-se essencialmente ao autoconsumo. Há referência a iniciativas de jovens agricultores, sobretudo na área da viticultura. Os produtos principais que se retiram da terra são a batata, o milho, o vinho, hortifrutos, feijão e forragens.
Há  que referir aqui, o nome de duas associações que têm desempenhado um papel relevante nas áreas do desporto e da cultura. São elas a, “Associação Cultural e Recreativa Loureda-Álvora” e a “Associação de Caça e Pesca Extremo-Barbeitos”.
As belezas do rio Vez, as suas praias fluviais de Medelo e da Azenha, a prática desportiva de caça e pesca, o parque de merendas na Senhora da Cabeça e nos Fiais, assumem-se igualmente como pólos de atracção turística e a merecer investimento por forma a torná-los mais frequentados quer pelos habitantes de Álvora, quer por visitantes. Esses melhoramentos no entanto, deveriam ser acompanhados por outros mais básicos, mas igualmente importantes, como a melhoria das condições de trabalho e emprego e principalmente, a implantação da rede de saneamento.
No livro, "Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do Tombo", pode ler-se na integra:
«Os primeiros documentos que citam esta igreja datam de 991 e de 1156, segundo informa o Padre Avelino Jesus da Costa. Era denominada, nesses anos, "Alvari" ou "Sanctae Mariae de Alvar".
Na lista das igrejas situadas no território de Entre Lima e Minho, efectuada por ocasião das inquirições de D. Afonso III, em 1258, Santa Maria de Álvora é citada como uma das igrejas pertencentes ao bispado de Tui.
Em 1320, no catálogo das mesmas igrejas, mandado elaborar pelo rei D. Dinis, para a determinação da taxa a pagar por cada uma delas, "Sancte Marie d' Alva" foi taxada em 40 libras.
Em 1444, a comarca eclesiástica de Valença foi desmembrada do bispado de Tui, passando a pertencer ao de Ceuta até 1512.
Em 1546, na avaliação que o arcebispo D. Manuel de Sousa, mandou efectuar, Álvora aparece com um rendimento de 15 mil réis.
Era vigairaria da câmara arcebispal.
O Censual de D. Frei Baltasar Limpo, na sua cópia de 1580, refere que a capelania de Santa Maria de Álvora era da "câmara da Mesa Arcebispal".
Segundo Américo Costa, esta igreja foi abadia da apresentação da Mitra, competindo ao seu abade o direito de apresentação da anexa São Pedro de Sá.»
(Fontes consultadas: Dicionário Enciclopédico das Freguesias,Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do Tombo e Freguesias Autarcas do Século XXI, Terra de Valdevez e Montaria do Soajo)
 
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